Dez tendências tecnológicas para um desenvolvimento sustentável

É um admirável mundo novo, e a indústria da construção desempenhará um papel muito relevante, de responsabilidade acrescida. Veículos elétricos online, Impressão 3-D e fabricação remota, Materiais com autoreparação, Purificação de água energeticamente eficiente, Conversão e uso de dióxido de carbono (CO2), Nutrição saudável a nível molecular, Sensoriamento remoto, Aplicação precisa de medicamentos por engenharia em nanoescala, Eletrónica e fotovoltaicos orgânicos, Quarta geração de reatores nucleares e reciclagem de resíduos. São estas as 10 tendências tecnológicas mais promissoras para um crescimento sustentável nas próximas décadas, segundo o Fórum Económico Mundial, que diz ser possível implantá-las industrialmente a curto e médio prazo.

Veículos Elétricos Online (OLEV)

Na próxima geração de carros elétricos, ter conjuntos de bobines de captação sob o chassis do veículo para receber a energia remotamente através de um campo eletromagnético de transmissão gerado por cabos instalados sob a estrada. Os sistemas de eletricidade sem fios já podem alcançar uma eficiência de transmissão de mais de 80%.

Impressão 3-D e fabrico remoto

A impressão tridimensional permite a criação de estruturas sólidas a partir de um arquivo CAD de computador, o que pode revolucionar a economia industrial se os objetos puderem ser impressos remotamente. O processo envolve camadas de material que são depositadas umas sobre as outras para criar virtualmente qualquer tipo de objeto.

Materiais com auto-reparação

Uma das características básicas dos organismos vivos é a sua capacidade inerente para reparar danos físicos – cicatrizar-se e curar-se de ferimentos, por exemplo. Conceber materiais que se consertam sozinhos (sem intervenção humana externa), confere-lhes uma maior durabilidade, reduzindo, assim, a demanda por matérias-primas. Melhorar a segurança inerente dos materiais utilizados na construção civil ou carros e aviões é outro dos potenciais.

Purificação de água energeticamente eficiente

A escassez de água é um problema ecológico crescente em muitas partes do mundo, devido, principalmente, às exigências concorrentes da agricultura, das cidades e outros usos humanos. Tecnologias emergentes para uma dessalinização e purificação de águas residuais significativamente mais eficientes em termos de energia, podem reduzir potencialmente o consumo de energia em 50% ou mais.

Conversão e uso de dióxido de carbono (CO2)

A viabilidade comercial das tão aguardadas tecnologias para a captura e retenção de dióxido de carbono ainda está para ser comprovada. As novas tecnologias que possam a vir converter o CO2 indesejável em produtos vendáveis vão potenciar, muito provavelmente, a resolução das deficiências económicas e energéticas das estratégias convencionais de captura e retenção de dióxido de carbono.

Nutrição saudável a nível molecular

Devido à deficiência de nutrientes nas respetivas dietas, milhões de pessoas sofrem de desnutrição, mesmo em países desenvolvidos. Técnicas inovadoras podem determinar, ao nível de sequência genética, quais as proteínas naturais consumidas importantes para a dieta humana. As proteínas identificadas podem ter mais vantagens do que os suplementos mais comuns, uma vez que podem fornecer uma maior percentagem de aminoácidos essenciais, além de terem melhor solubilidade, sabor, textura e características nutricionais.

Sensoriamento remoto

O uso cada vez mais generalizado de sensores que permitem respostas passivas a estímulos externos vai continuar a mudar a nossa forma de responder ao ambiente, em especial na área da saúde. Os avanços dependem da comunicação sem fios entre dispositivos – nós das redes de sensores – tecnologias sensoriais com baixo consumo de energia e, eventualmente, captação ativa de energia, através dos chamados nanogeradores. Outro exemplo desta tecnologia inclui a comunicação veículo-a-veículo para melhorar a segurança nas ruas e estradas.

Aplicação precisa de medicamentos por engenharia em nanoescala

Fármacos que possam ser aplicados com precisão em nível molecular no interior ou em torno de uma célula doente oferecem oportunidades sem precedentes para tratamentos mais eficazes, ao mesmo tempo que reduzem os efeitos colaterais indesejados. Depois de quase uma década de pesquisa, estas novas abordagens estão finalmente a revelar sinais de utilidade clínica.

Eletrónica e fotovoltaicos orgânicos

A eletrónica orgânica baseia-se na utilização de materiais orgânicos, tais como polímeros, para criar circuitos e dispositivos eletrónicos. Esses circuitos podem ser fabricados por impressão, sendo normalmente finos, flexíveis e até transparentes. Em contraste com os semicondutores tradicionais à base de silício, que são fabricados com técnicas de fotolitografia de elevado custo, a eletrónica orgânica pode ser impressa através de processos mais económicos, similares à impressão a jato de tinta. Recetores solares fotovoltaicos impressos, por exemplo, são mais económicos do que as células solares de silício e podem acelerar a transição para as energias renováveis.

Quarta geração de reatores nucleares e reciclagem de resíduos

Os reatores nucleares atuais usam apenas 1% da energia potencial disponível no urânio, deixando o resto radioativamente contaminado como lixo nuclear. O desafio de lidar com os resíduos nucleares limita seriamente o apelo desta tecnologia de geração de energia. Tecnologias de quarta geração, incluindo reatores rápidos resfriados por metal líquido, estão já a ser implantadas em vários países e oferecidas por empresas fabricantes de equipamentos de engenharia nuclear.

Fontes: Observatório Tecnológico da Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção, World Economic Forum.