O blog da Houselab

livro_fissuras_paredes

Hipólito de Sousa, Professor Associado do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e coordenador do grupo de investigação Gequaltec/Construct, é responsável pela edição e autoria de alguns dos capítulos de uma recente publicação internacional na área da engenharia civil, especificamente para a temática das fissuras de edifícios.

“Defects in Masonry Walls. Guidance on Cracking: Identification, Prevention and Repair” é o título da publicação que vem reforçar a importância de se assegurar um comportamento em serviço adequado para as paredes de alvenaria, no sentido de identificar e evitar os diferentes tipos de fissuração. Ao longo do livro são abordadas algumas estratégias e recomendações de reparação das fissuras, diversas medidas para evitar este tipo de patologia e ainda identificar algumas necessidades de investigação futura, de forma a melhorar as recomendações existentes.

Desenvolvida no âmbito das atividades do ‘International council for research and innovation in building and construction’ (CIB), especificamente pela comissão CIB W023 – “Wall Structures”, a publicação foi editada por este mesmo organismo e conta com a participação, além da FEUP, de especialistas de vários países do mundo na área das paredes de alvenaria. O CIB é um organismo mundial de referência na área da investigação e inovação no domínio dos edifícios e a FEUP é a única entidade institucional portuguesa membro, representada por vários docentes do Departamento de Engenharia Civil, nomeadamente o Docente Vitor Abrantes (atualmente membro conselheiro do CIB commission board).

O livro é gratuito e pode ser livremente descarregado em formato eletrónico na página da comissão W023 do CIB, no FEUPLoad e, brevemente, na livraria online ICONDA®CIB.

Encontra-se em consulta pública a proposta de Estratégia Nacional para a Habitação, da responsabilidade do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU, IP). No comunicado pode ler-se:

Trata-se de uma proposta que aborda um diversificado conjunto de matérias relacionadas com a habitação, nomeadamente reabilitação urbana, arrendamento habitacional e qualificação dos alojamentos, que constituem os três pilares da estratégia e que se desdobram em 8 desafios e em 34 medidas e iniciativas.

Para mais informação sobre o processo de consulta pública clique aqui.

Como Identificar?

Tentar-se-á listar abaixo os defeitos mais comuns em pisos e revestimentos cerâmicos, sejam eles naturais ou esmaltados, os quais, quando detectados, devem ser rejeitados e/ou substituídos por produtos de qualidade antes de sua especificação ou compra, para evitar-se prejuízos de até 5 vezes o valor do produto, levando-se em conta o consumo de argamassas de colagem, betumação de juntas, produtos de limpeza, impermeabilizantes e mão-de-obra, sem considerar-se a sua durabilidade, o que poderá elevar ainda mais os prejuízos:

“Coração Negro”

Manchas escuras ou esbranquiçadas no interior (secção) da massa dos ladrilhos cerâmicos mal queimados, resultantes de reduzidos e/ou inadequados ciclos de queima e de compactação. São manchas formadas por gases e materiais orgânicos que não exalaram durante o reduzido ciclo de queima (baixa temperatura e tempo reduzido de queima). Produtos com “coração negro” podem inchar, descolar, folhear, gretar, trincar, formar bolhas, erupções e provocar manchas e descolorações nos seus espelhos (superfícies visíveis).

Como identificar?

Quebre um ou mais ladrilhos cerâmicos em diversas partes e verifique se há presença de manchas ou sombreamento nas secções de corte.

Elevada Absorção de Humidade

Produtos cerâmicos mal queimados e de granulometria de massa inadequada (grão com dimensões acima dos padrões) apresentam elevados índices de absorção de água (acima de 10%), cores de tonalidades pardas do tipo “tijolo crú”. Argilas inferiores, de características físico-químicas inferiores podem apresentar baixíssima resistência à flexão e ao desgaste, elevada absorção e dilatação, descolamento e destorroamento sob a ação de intempéres e maresias.

Como identificar:

Passe a ponta do dedo humedecido com saliva e deslize suavemente sobre a base do ladrilho cerâmico. Se o dedo “travar” e a mancha de humidade desaparecer ou for rapidamente absorvida, a absorção de humidade do elemento é provavelmente superior a 10% (até 20 %) e possivelmente a dilatação será superior a 0,6 mm/m (algumas até 3 mm/m).
Em produtos esmaltados, deposite um pouco de água no centro da base, aguarde alguns minutos, verifique se houve absorção muito rápida, vire a peça e observe se há manchas de humidade no centro do esmalte (de cores claras). Neste caso, além do excesso de absorção, pode observar-se se o esmalte é de boa ou má qualidade, se sua espessura é ou não apropriada.
Atenção: Estes critérios de avaliação somente são aplicáveis em produtos de características “grés” ou “semi-grés”, prensados (compactados) ou extrudidos. Estes critérios de identificação não servem para azulejos de massa mono-porosa, cuja absorção é de aprox. 18%, próprio do tipo de massa, de excelente ancoragem e “cristalização/fixação” da argamassa de colagem com a base de azulejo.

Elevada dilatação

Produtos cerâmicos mal queimados, de granulometria e compactação inadequadas, normalmente apresentam dilatação acima de 0,6 mm/m, alguns chegando a até 3 mm / m, além de baixíssima resistência à flexão, ao desgaste e durabilidade, podendo desprenderem-se (descolarem-se), gretarem, trincarem, mancharem, destorroarem-se (desintegrarem-se), etc..

Como identificar:

Proceda na prática do mesmo modo que no caso de produtos com elevada absorção (> 10 %). Em testes laboratoriais, também denominados de expansão por humidade ou expansão por hidratação, o índice de dilatação é realizado através de estiramento de peças cerâmicas humedecidas, de dimensão padrão, com medidas aferidas por micrómetro ou paquímetro.

A Habitação e Reabilitação Urbana serão os principais temas em debate na 1.ª Conferência Nacional da Habitação, que se realiza no próximo dia 8 de maio, no auditório principal do LNEC, em Lisboa.

Nesta conferência, organizada pela Agência Independente da Habitação e da Cidade, com o apoio do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, IP, do Montepio e do LNEC, serão debatidos os seguintes temas:

  • Início do debate público sobre a Estratégia Nacional para a Habitação, a realizar pelo Sr. Secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel de Castro Neto;
  • Debate “Por um Novo Código das Edificações”, que contará com a presença de reputados especialistas na matéria;
  • e ainda a “Experiência da Habitação na Cidade de Toronto”, que contará com a intervenção da respetiva Vereadora da Habitação Dra. Ana Bailão, que nos dará a conhecer a realidade naquele município, no domínio da Habitação Social, e que se prende, entre outras matérias, com o direcionamento dos investimentos federais na nova locação e propriedade da habitação a preços acessíveis em parceria com empreendedores privados e sem fins lucrativos.

As inscrições são gratuitas e sujeitas a confirmação, devido à capacidade da sala.

Os interessados deverão efetuar a inscrição até ao próximo dia 6 de maio, através do endereço eletrónico aihc.instituto.territorio@gmail.com.

Trata-se de uma técnica de ensaio expedita, destinada a avaliar a porosidade superficial de um material de revestimento ou outro. Utiliza-se um tubo de vidro ou plástico, designado por tubo de Karsten.
A superfície do bordo do tubo que irá ficar em contacto com a parede é coberta com mástique e pressionada contra a superfície. Após o endurecimento do mástique, o tubo é cheio de água até ao seu nível máximo. O abaixamento do nível da água é medido aos 5, 10 e 15 minutos.

Referência: Meting van de Waterabsorptie door de Pijpmetode – K. U. Leuven, Civil Engineering Department publication

Para teorizar acerca do pH e POH precisamos entender primeiro que ácidos são substâncias que produzem iões hidrogénio (H+) quando dissolvidos em água. Bases são substâncias que produzem iões hidróxido (OH-) também quando dissolvidos em água. Estes ácidos que ionizam em soluções diluídas (por exemplo, a dissolução do sal NaCl em água produz uma solução) para produzir iões hidrogénio – até próximo da ionização completa – são classificados como ácidos fortes. Por contraste, os ácidos que ionizam de maneira fraca, produzindo poucos iões hidrogénio são classificados como ácidos fracos. Por outro lado, as bases fortes praticamente ionizam completamente, produzindo muitos iões hidróxidos. Da mesma forma, bases fracas ionizam pouco e, consequentemente, produzem poucos iões hidróxido. A resistência relativa de um ácido ou de uma base é determinada comparando-se a concentração dos iões hidrogénio em solução, em relação à da água. A água pura é neutra. A água dissocia-se em igual número de iões hidrogénio e hidróxido. Em termos realistas, a água é pouco ionizada. Num litro de água pura, à temperatura de 25°C, a concentração, tanto de hidrogénio como de hidróxido, totaliza apenas 1 x 107g iões. O produto iónico ou constante de ionização da água é igual a:

[H+] [OH-] = (1 x 107) (1 x 107) = 1 x 1014

A concentração do ião hidrogénio ou do ião hidróxido é expressa em moles/litro. Por definição, pH é logaritmo negativo de base 10 da concentração de iões hidrogénio.

PH = -log[H] = log 1/[H+]

Logo, quanto maior a concentração de iões hidrogénio, mais forte o ácido será e tanto menor será o pH.

O mesmo raciocínio adotar-se-á para a escala do POH. Quando as concentrações dos iões hidrogénio e hidróxido forem expressas em moles/litro, a soma do pH e do POH será igual a 14. A acidez ou a alcalinidade de uma solução aquosa no interior da massa do betão pode ser medido facilmente usando-se indicadores em forma de lápis comparando, a seguir, com uma tabela de cores.
O betão possui uma alta alcalinidade graças, principalmente, à presença do Ca(OH)2 libertado aquando das reações de hidratação do cimento. Acontece que esta alcalinidade pode ser reduzida com o tempo, fazendo com que o betão funcione como um verdadeiro eletrólito.

Muitos investigadores têm proposto um valor crítico para o pH do betão que varia de 11,5 e 11,8, abaixo do qual já não se assegura a manutenção da passivação (proteção) das armaduras que incorpore.
Outro aspeto muito importante que deve ser compreendido é o eletroquímico. Como sabemos da eletroquímica, o aço é feito de vários metais, pelo que, uma vez exposto a um betão tendo solução propícia nos seus vazios, formará milhares de pilhas galvânicas e, naturalmente, campos elétricos, devido a imposição de voltagens diferenciadas entre cada metal existente ao longo da barra, provocando a migração ou deslocamento dos iões adjacentes a estas pilhas, na massa do betão, fechando o circuito elétrico. O fluxo de corrente elétrica que ocorre no ambiente betão/armadura é devido ao deslocamento dos iões presentes na solução existente nos seus vazios. O popular efeito migração nada mais é do que aquele deslocamento dos iões presentes na solução existente nos poros do betão sob o efeito do campo elétrico. Por outro lado, não podemos esquecer que, concomitantemente ou não, também poderão ocorrer migração ou deslocamento de iões através do betão, apenas sob o efeito das diferenças das suas concentrações nas soluções existentes nos poros do betão. Isto, por si só, causa corrosão no aço, devido ao facto de que aqueles iões ficam sujeitos a interações eletrostáticas devido à natureza das suas cargas elétricas e, portanto, conduzindo eletricidade.

Começa hoje o ISBP 2015 – 1º Simpósio Internacional de Patologias em Edifícios, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Mais informações aqui: paginas.fe.up.pt/~isbp2015.

É com muito gosto que a HouseLab anuncia o programa das II Conferências de Gestão de Edifícios – Manutenção de Condomínios, iniciativa organizada pelo grupo CEES, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e pela Apegac.
O evento contará com comunicações de dois colaboradores da Houselab: Eng. Nelson Bento Pereira e Eng. Dóris Queirós.

Programa

09:00 – Abertura – Prof. Vítor Abrantes
09.20 – Comunicação 1 – Coberturas – a confirmar
09.40 – Comunicação 2 – Diagnóstico de fachadas – Prof.ª Inês Flores-Colen
10.00 – Comunicação 3 – Sistemas Hidráulicos Prediais – Eng. Nelson Bento Pereira
10.20 – Comunicação 4 – Elementos em Madeira- Prof. Amorim Faria
10.40 – Coffee Break
11.00 – Comunicação 5 – Vãos Exteriores – Arq.ª Patrícia Fernandes Rocha
11.20 – Comunicação 6 – Sistemas Elétricos – Prof. José Pinto Ferreira
11.40 – Comunicação 7 – Sistemas Mecânicos – Prof. José Alexandre
12.00 – Comunicação 8 – Segurança em Obra –Prof.ª Cristina Reis
12.20 – Almoço
14.20 – Comunicação 9 – Metodologias de Projeto para Intervenções em Edifícios de Condomínio – Prof. Jorge Renda
14.40 – Comunicação 10 – Fiscalização das Intervenções – Prof. Rui Calejo Rodrigues
15.00 – Comunicação 11 – Segurança contra Incêndio – Prof. Miguel Gonçalves
15.20 – Comunicação 12 – Gestão Sustentável de Facilities – Progressos e Casos Práticos – Eng. Jorge Falorca
15.40 – Coffee Break
16.00 – Comunicação 13 – Ruído em Condomínios – Eng.ª Dóris Queirós
16.20 – Comunicação 14 – Gestor de Condomínios Residenciais – Arq.ª Rita Brandão
16.40 – Comunicação 15 – Envolvente Exterior em Alvenaria – Prof. Hipólito Sousa
17.00 – Encerramento – Prof. Vasco Peixoto Freitas

É com muito gosto que a HouseLab patrocina, mais uma vez, as II Conferências de Gestão de Edifícios – Manutenção de Condomínios, iniciativa organizada pelo grupo CEES, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e pela Apegac.

No sistema fachada ventilada, cria-se um espaço ventilado entre o revestimento e o isolamento térmico, melhorando a proteção contra a intempérie (acumulação de humidade de infiltração) e o desempenho térmico no Verão (acumulação de calor decorrente da radiação solar incidente).

O sistema de fachada ventilada é composto por diferentes materiais de revestimento final: betão polimérico, alumínio perfilado ou de tricamada, vidro, cerâmica, pedra, fenólico e madeira modificada, etc., que são fixos à edificação por componentes metálicos.

Relativamente ao sistema de fixação, existem quatro sistemas. Quando estamos perante revestimentos de grande espessura, fixam-se as peças sobre a margem superior e inferior em perfis horizontais que serão posteriormente fixos à estrutura através de grampos de aço.

Em sistemas de fixação à vista de espessura fina, o encaixe é visível do exterior, mediante o uso de grampos em aço que seguram o painel, unindo-os ao perfil metálico.

Existem também sistemas sobrepostos para painéis cerâmicos, onde existe uma sobreposição de painéis formando escamas, garantindo-se no entanto, a estanquidade das juntas. Este sistema encontra-se pensado sobretudo para revestimentos cerâmicos.

Finalmente os sistemas de fixação oculta em que os encaixes das peças de revestimento não são visíveis e encontram-se no dorso das mesmas, mediante rasgos que permitem a colocação de elementos de aço e que se aparafusam a um perfil de alumínio que fixa ao suporte através de grampos. Este sistema encontra-se também pensado para revestimento cerâmico.

Mais informação sobre o sistema aqui, aqui ou aqui.