O blog da Houselab

No sistema fachada ventilada, cria-se um espaço ventilado entre o revestimento e o isolamento térmico, melhorando a proteção contra a intempérie (acumulação de humidade de infiltração) e o desempenho térmico no Verão (acumulação de calor decorrente da radiação solar incidente).

O sistema de fachada ventilada é composto por diferentes materiais de revestimento final: betão polimérico, alumínio perfilado ou de tricamada, vidro, cerâmica, pedra, fenólico e madeira modificada, etc., que são fixos à edificação por componentes metálicos.

Relativamente ao sistema de fixação, existem quatro sistemas. Quando estamos perante revestimentos de grande espessura, fixam-se as peças sobre a margem superior e inferior em perfis horizontais que serão posteriormente fixos à estrutura através de grampos de aço.

Em sistemas de fixação à vista de espessura fina, o encaixe é visível do exterior, mediante o uso de grampos em aço que seguram o painel, unindo-os ao perfil metálico.

Existem também sistemas sobrepostos para painéis cerâmicos, onde existe uma sobreposição de painéis formando escamas, garantindo-se no entanto, a estanquidade das juntas. Este sistema encontra-se pensado sobretudo para revestimentos cerâmicos.

Finalmente os sistemas de fixação oculta em que os encaixes das peças de revestimento não são visíveis e encontram-se no dorso das mesmas, mediante rasgos que permitem a colocação de elementos de aço e que se aparafusam a um perfil de alumínio que fixa ao suporte através de grampos. Este sistema encontra-se também pensado para revestimento cerâmico.

Mais informação sobre o sistema aqui, aqui ou aqui.

Sendo o betão, um dos principais materiais que constituem a infra-estrutura construída, as técnicas de reabilitação do betão, em particular do betão armado, revestem-se de grande importância.

Reparação e reforço de estruturas com betão projectado

A técnica de projecção de betão tem vindo a ser aplicada em trabalhos em que se procura um objectivo de carácter estrutural, como seja a reparação de estruturas de betão armado, ou a consolidação e reforço de paredes de alvenaria. Este método de colocação do betão dispensa o uso de cofragens e permite a aplicação mesmo em situações de difícil acesso, garantindo uma excelente aderência e durabilidade.

Injecção de resinas de epóxido para reparação estrutural

Este método de reparação consiste na injecção de resina de epóxido em fendas, fissuras ou vazios apresentados por elementos estruturais de betão (vigas, lajes, pilares, paredes), de forma a restabelecer o seu monolitismo.

Reforço com chapas e perfis de aço

O reforço de elementos estruturais de betão armado pode ser conseguido através da fixação de peças metálicas, destinadas a funcionar como armaduras exteriores.

Reforço por adição de polímeros reforçados com fibras de elevada resistência

Os trabalhos de reforço de estruturas de betão armado por adição de polímeros reforçados com fibras de carbono (CFRP) ou outras de elevada resistência constituem uma excelente alternativa aos sistemas de reforço tradicionais.

Reforço com pré-esforço exterior

Recorre-se ao pré-esforço exterior quando se verifica a necessidade de reforçar as estruturas, devido ao facto de as cargas actuantes não coincidirem com o que estava previsto no projecto inicial. Esta técnica consiste na colocação de cabos pós-tensionados ou barras de aço de alta resistência no exterior da estrutura, de modo a modificar as suas características resistentes.

Transferência de cargas

A transferência de cargas consiste na progressiva colocação em carga de novos elementos de apoio ou reforço, aliviando-se os elementos existentes. Esta técnica aplica-se na modificação ou reforço de elementos estruturais de betão ou de alvenaria e na substituição de aparelhos de apoio em pontes e viadutos.

Métodos electroquímicos (realcalinização, dessalinização e protecção catódica)

O principal problema associado com o betão armado é a corrosão das armaduras, resultante, principalmente, de carbonatação e contaminação pelos cloretos. A reparação convencional do betão deteriorado envolve a remoção mecânica do betão carbonatado ou contaminado por cloretos, seguida da sua substituição por material novo. Frequentemente, novas degradações surgirão em áreas vizinhas. A fim de parar a corrosão e prevenir a continuação da deterioração, a causa da corrosão terá que ser eliminada.

A realcalinização e a dessalinização, métodos de tratamento electroquímico, permitem reduzir os custos das intervenções e prolongar a vida útil da estrutura. Em muitos casos, a estrutura pode permanecer em serviço durante o tratamento, sem perigo para as pessoas ou o ambiente.

A protecção catódica é um método que tem por objectivo a prevenção ou o controlo da corrosão, e que pode ser usado quer em estruturas novas, quer em estruturas existentes e, neste último caso, em articulação com outras técnicas de reabilitação.

Mais informações aqui.

O deficiente comportamento higrotérmico da envolvente dos edifícios é uma das principais causas das patologias observadas na construção. É, por isso, importante um bom conhecimento dos fenómenos de transferência de humidade e calor entre os diferentes elementos de construção.

A envolvente dos edifícios pode intervir a vários níveis nas trocas de humidade entre o exterior e o interior:
– Transferência de humidade por ventilação do exterior para o interior;
– Transferência de humidade através das paredes, em consequência do gradiente de pressão parcial de vapor;
– Transferência de humidade entre a atmosfera e as paredes, e entre estas e o ambiente interior.

Os mecanismos que regem o transporte de humidade numa parede são complexos, podendo dar-se em diferentes fases:
– Na fase vapor, a difusão e os movimentos convectivos no interior dos poros condicionam o transporte;
– Na fase líquida, a capilaridade, a gravidade e o efeito de gradiente de pressão externa comandam a transferência de humidade.

No entanto, o transporte em fase líquida e em fase vapor ocorre em simultâneo e as condições de temperatura, humidade relativa, precipitação, radiação solar e pressão do vento dos ambientes ­ que definem as condições fronteira no interior e exterior ­ são muito variáveis ao longo do tempo.

Do ponto de vista físico, podemos considerar que há três mecanismos de transferência de humidade: absorção, condensação e capilaridade. Estes três mecanismos permitem explicar, na generalidade dos casos, a variação do teor de humidade no interior dos materiais de construção com estrutura porosa.

O mecanismo de absorção é consequência das forças intermoleculares que actuam na interface sólido-fluído, no interior dos poros, e que por difusão superficial transportam a humidade, através de moléculas de água, quando absorvidas pela superfície porosa interior de materiais higroscópicos e microcapilares. A principal força responsável pela difusão superficial é a humidade relativa.

A forma da curva de absorção pode ser dividida em três fases dependendo do tipo de fixação das moléculas de água. Numa primeira fase, ocorre através da difusão e movimentos convectivos, a fixação de uma camada de moléculas de água na superfície interior do poro (absorção monomolecular), a que se segue, numa segunda fase, a deposição de várias camadas de moléculas (absorção plurimolecular). A condensação capilar corresponde à última fase. A diminuição da pressão de vapor de saturação por cima das superfícies curvas, depende do ângulo de curvatura dos meniscos como expressa a equação de Kelvin. Quando o diâmetro dos poros é suficientemente pequeno, há a junção das camadas plurimoleculares (condensação capilar), e estes serão completamente preenchidos com água.

A entrada em vigor do novo Sistema de Certificação Energética, do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação (REH) e do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Comércio e Serviços (RECS) levanta novos desafios a Engenheiros Civis, Engenheiros Mecânicos, Arquitetos e outros técnicos ligados ao projeto, conceção e exploração de edifícios, sobretudo no âmbito da reabilitação urbana.

Oportunamente, o Laboratório de Física das Construções do Departamento de Engenharia Civil da FEUP promove um Seminário de divulgação, sensibilização e reflexão, intitulado “Nova Regulamentação Térmica – Dificuldades de Aplicação e Adequação à Reabilitação”

A Houselab, como sempre, não faltou.

Mais informações em: http://sigarra.up.pt/feup/pt/noticias_geral.ver_noticia?P_NR=29767

Decorre no próximo dia 6, na Faculdade de Engenharia, o segundo Seminário Internacional de Reforço e Reabilitação, SIRR13.

O Seminário SIRR13 tem como propósito abordar o tema da Reabilitação e Reforço de Estruturas, focando em particular os Materiais e as Tecnologias envolvidas nestes processos. Trata-se de uma área de indiscutível interesse e atualidade, e de aplicação direta na intervenção em construções existentes, abrangendo uma grande variedade de sistemas estruturais, desde as tipologias construtivas mais antigas, onde prevalece a alvenaria e a madeira, até aos sistemas mais recentes, em particular envolvendo estruturas de betão e aço. O desenvolvimento e interesse que tem surgido nos últimos anos pela área da reabilitação estrutural justifica plenamente a discussão destes temas, nomeadamente a necessidade de selecionar as tecnologias e materiais que melhor se adaptam a cada sistema estrutural.

O seminário debruçar-se-á sobre aspetos técnico-científicos associados à intervenção estrutural em construções existentes, às particularidades e princípios a que essas intervenções deverão obedecer relativamente aos materiais e tecnologias envolvidas, sendo complementados com a apresentação de casos práticos. Em particular, o seminário conta com quatro conferências abordando paradigmas atuais e perspetivas futuras na reabilitação e reforço estrutural, duas na primeira sessão da manhã e outras duas na última sessão da tarde, proferidas por oradores de reconhecido mérito na área, nomeadamente a Prof. Dina D’Ayala do University College of London, o Prof. Eduardo Júlio do Instituto Superior Técnico de Lisboa, o Prof. Anibal Costa da Universidade de Aveiro e o Eng. Vitor Cóias da STAP, S.A. / GECORPA.

O seminário contará ainda com mais duas sessões com oradores convidados que irão apresentar particularidades e aspetos técnicos associados à reabilitação e reforço de diferentes sistemas estruturais, e casos práticos de aplicação nos vários domínios abordados. Procurar-se-á assim transmitir a visão e partilhar a experiência de especialistas que, nas universidades e empresas, têm desenvolvido investigação e trabalho nas áreas do âmbito do seminário.

COMISSÃO ORGANIZADORA

António Arêde (FEUP), João Guedes (FEUP), Rui Carvalho (HILTI), Nuno Carneiro (HILTI), Rita Vieira (HILTI).

O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) está a preparar a operacionalização de um novo programa destinado a financiar a reabilitação urbana de edifícios degradados cujos proprietários se comprometam, depois, a colocá-los no mercado de arrendamento. A medida deverá arrancar no próximo ano e o financiamento e necessárias linhas de crédito estão neste momento a ser negociados com o Banco Europeu de Investimento (BEI).

O objectivo é dinamizar a reabilitação urbana e o mercado do arrendamento, à semelhança do já existente “Reabilitar para Arrendar”, que arrancou no primeiro trimestre deste ano, mas cujos fundos se destinam apenas a entidades públicas, nomeadamente municípios com casas para o mercado social de arrendamento ou para regimes de renda apoiada. Neste caso serão disponibilizados 50 milhões de euros, um valor que, no caso dos privados, será “muito superior”, garantiu ao Negócios fonte próxima do Executivo.

Em Março deste ano, o Governo assinou com os empresários da construção um compromisso onde eram elencadas 52 medidas para dinamizar o sector e onde já se admitia o financiamento a privados com imóveis para arrendar. A medida acabaria por ser inscrita nas Grandes Opções do Plano, conhecidas na semana passada, onde se prevê que “será lançado um novo programa de apoio à reabilitação de edifícios particulares de habitação para arrendamento”.

Reis Campos, presidente da Confederação e do Imobiliário, adianta que os destinatários serão “os proprietários privados em geral, desde aqueles que têm prédios avulso, espalhados pelas cidades, até aos grandes fundos de investimento, que têm às vezes quarteirões inteiros à espera de financiamento para serem reabilitados”. Reis Campos afirma que o sector da construção está “muito esperançado” neste tipo de medidas, que poderão ser a forma de menorizar os problemas causados pela total estagnação de construção nova.

É com muito gosto que a HouseLab patrocina a I Conferência de Gestão de Edifícios, iniciativa organizada pelo grupo GeQualTec, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e pela Apegac.